Ao mesmo tempo, clube deve R$ 239 milhões em dívidas trabalhistas
23 de Maio de 2018
Após revirar as contas de seu antigo aliado, Peter Siemsen, Pedro Abad encontrou muito mais dívidas do que qualquer tricolor podia supor que existissem. Em 2017, o Fluminense contabilizou R$ 631 milhões pendurados. O clube tem dívidas bancárias altíssimas, acima dos R$ 110 milhões, ao mesmo tempo em que deve R$ 221 milhões ao governo por calotes em impostos e R$ 239 milhões em dívidas trabalhistas, resultado de salários e direitos de imagem que foram prometidos a jogadores no passado, mas nunca foram pagos e ensejaram ações judiciais contra o clube.
Para o torcedor que não tem a dimensão exata dos efeitos práticos de tantos débitos, a dívida bancária é problemática porque coloca juros sobre os ombros tricolores. Só em 2017 foram perdidos R$ 11 milhões com eles – um dinheiro que não diminui um centavo do endividamento, nada além de remunerar quem emprestou a grana. Os credores são variados. Há empréstimos de instituições financeiras como XXII Capital, BMG, BCV, Lecca e Banco Plural. E há empréstimos de não financeiras.
No ano passado, o Fluminense vendeu o atacante Richarlison para o Watford (ING) por 12,5 milhões de euros, só que o dinheiro não entraria de uma vez. A primeira parcela foi paga de imediato, e a segunda tem vencimento em agosto de 2018. Abad entregou esse crédito na mão de um fundo chamado Star Fund Managers, que lhe adiantou o dinheiro e pôs juros em cima dele.
No início deste ano, uma tutela provisória expedida por um juiz determinou que o Fluminense teria de recolher 15% de todas as receitas obtidas, e não mais 30%, e usá-las para pagar a Fazenda Nacional. Esse dinheiro poderia bancar salários de jogadores, ser investido em infraestrutura ou na aquisição de reforços, mas é levado pelo governo por todos os anos em que cartolas tricolores deram calotes no poder público.
(Infográfico de Giovana Tarakdjian)


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