sexta-feira, 16 de agosto de 2013

CAMPEÃO DE TUDO EM 2013, GERAÇÃO 96/97 É A MAIS PROMISSORA DE XERÉM

Mesmo desfalcada de peças importantes, equipe segue quase imbatível na categoria e busca sexto título no ano. Conheça os craques e o comandante

Por Edgard Maciel de Sá Rio de Janeiro

Cinco torneios disputados em 2013, cinco títulos conquistados, 53 jogos, 37 vitórias, apenas cinco derrotas, quase 77% de aproveitamento, 150 gols marcados... Números incontestáveis que surpreendem até mesmo o técnico Marcos Valadares. E que foram suficientes para alçar a geração 96/97 do Fluminense ao posto de mais promissora de Xerém. Campeã de tudo na temporada e atualmente disputando as quartas de final da Copa do Brasil Sub-17, a garotada tricolor virou o time a ser batido na categoria.

Máquina tricolor sub-17
 
53 jogos
37 vitórias
11 empates
5 derrotas
76,8% de aproveitamento
150 gols pró
44 gols contra
5 torneios
5 títulos

Até agora, a equipe juvenil do Fluminense levantou todas as taças das competições que participou, com direito a um título internacional (Al Kass Internacional Cup, no Catar), dois nacionais (Copa Rio e Copa Nacional) e dois estaduais (Taça Guanabara e o primeiro turno do Torneio Guilherme Embry). E olha que o aproveitamento poderia ainda ser melhor, se é que isso é possível. Como já é natural nas categorias de base, os jogadores que mais se destacam acabam subindo de categoria antes da hora. Nesta levada, a geração 96/97 de Xerém joga sem três de seus principais jogadores há alguns meses: o goleiro Marcos Felipe e o atacante Kennedy, ambos já no profissional, e ainda o apoiador Robert, atual camisa 10 dos juniores. Nenhum dos três tem mais de 17 anos.

- Não é normal ganhar tudo. Na realidade, é muito difícil. Da mesma maneira que temos um bom trabalho para atender os atletas, vários outros clubes pelo Brasil também tem. É uma surpresa positiva também porque a cada competição, a cada jogo, a pressão e a responsabilidade aumentam. Todos querem vencer o Fluminense. O time fica mais visado, os adversários entram mais concentrados, com mais vontade de vencer. Ao mesmo tempo, nós acabamos sendo pressionados porque todos esperam sempre o melhor da gente, esperam mais uma vitória. E quando perdemos é aquela surpresa - resumiu Valadares.

Sub-17 Fluminense (Foto: Edgard Maciel)Os principais jogadores da equipe sub-17 do Flu: campeões de tudo em 2013 (Foto: Edgard Maciel de Sá)
 
Problemas em 2012, soluções em 2013

Os momentos de surpresa aconteceram apenas cinco vezes na temporada. Em 53 jogos, só PSG, Boavista, Botafogo, Audax-RJ e Atlético-PR conseguiram derrotar o sub-17 do Flu em 2013. Até o Real Madrid e o Inter de Milão ficaram pelo caminho que já contabiliza quatro goleadas por mais de sete gols de diferença. Fruto de um trabalho iniciado ainda no meio de 2012, quando a diretoria tricolor contratou Marcos Valadares junto ao Cruzeiro.

O técnico encontrou um grupo, até então 95/96, com resultados irregulares e problemas de comportamento devido ao deslumbramento no início da carreira. Utilizou os primeiros seis meses para colocar ordem na casa e preparar a temporada seguinte. O Campeonato Brasileiro Sub-17 de 2012 foi a primeira etapa e Marcos optou por um time novo, com oito titulares nascidos em 1996. Sabia que dificilmente o título viria, mas era preciso mudar.

- A equipe vinha de resultados ruins muito por esses fatores. Os jogadores nascidos em 95 tinham essa dificuldade maior de comportamento e foi difícil ajudá-los naquele momento. Já o grupo 96, além da qualidade, era mais responsável. Conseguimos passar a nossa metodologia de trabalho e valorizamos esse grupo. Oito foram titulares no Campeonato Brasileiro e apesar da eliminação natural (O Fluminense caiu na primeira fase) com uma equipe tão jovem, fizemos bons jogos. Ali nasceu a base que ganhou o Mundial no Catar dois meses depois. Os jogadores já tinham evoluído no comportamento e a isso se juntou o talento, o profissionalismo e o empenho. Após o título internacional, a confiança da equipe aumentou. E ainda surgiram grandes talentos nascidos em 1997 que contruiram essa base vencedora. É um time que joga muito bem taticamente e permite que a técnica de alguns se sobressaia - explicou.

Info Promessas Base Fluminense (Foto: Editoria de Arte)
Cuidados com Gerson, o craque da vez
Sem os três principais nomes da geração 96, Marcos Felipe, Kennedy e Robert, todos titulares na Al Kass Internacional Cup, coube aos jogadores nascidos em 1997 assumirem o papel de craques da equipe já a partir do segundo torneio do ano. E não faltam candidatos ao posto. No ataque, a dupla Paulinho e Felipe chama a atenção. O primeiro é comparado com o ex-são-paulino Lucas e tem 12 gols no ano. Já o segundo, artilheiro da equipe com 13 gols na temporada, assinou na última quinta-feira o seu primeiro contrato profissional.

A equipe conta ainda com outros três jogadores que já frequentam as convocações da seleção brasileira da categoria: os volantes Ikaro e Bonilha, e o atacante Gabriel Vasconcelos. Tem até xará de craque famoso, no caso o lateral-esquerdo Leonardo, mais conhecido como Pelé. Mas a grande promessa da vez é mesmo o apoiador Gerson, que chegou a defender a base do Flamengo por um ano até optar pelo que classificou como 'melhor estrutura de Xerém'. O clube já trabalha também fora de campo para frear a empolgação em torno do meia e permitir assim que ele consiga chegar no profissional e brilhar tanto quanto nas categorias de base.

- Temos que fazer com que o Gerson não se perca no caminho com o deslumbramento por causa de uma matéria na imprensa, de uma valorização natural do patrocinador pessoal dele, de um salário mais alto... O jogador que vai ser realmente valorizado será aquele que chegar até o profissional. E ele não está garantido. O fato de a geração ser forte também mantém ele motivado. Temos excelentes valores no grupo como Bonilha, Ikaro, Gabriel Vasconcelos... O Danielzinho, um meia diferenciado, um Deco mais novo, que pode chegar facilmente ao profissional se desenvolver a parte física. Temos ainda o Paulinho, que é fantástico e se assemelha ao Lucas do PSG. Joga sempre na direção do gol, tem velocidade e inteligência. Um jogador que eu aposto muito. Sem falar no Felipe, um atacante que cheira a gol e tem a cabeça muito boa. Ele contribui muito taticamente na marcação e sabe pressionar o adversário. Acho que o Gerson enxerga tudo isso. Ele sabe que a concorrência é grande. Ter tantos bons jogadores ao lado faz com que ninguém se acomode - garantiu o treinador.

Atlético-PR: cuspe no Paraná, decisão nas Laranjeiras

O foco dos meninos de Xerém está voltado agora para o Atlético-PR, adversário nas quartas de final da Copa do Brasil Sub-17. Para manter o aproveitamento 100% de títulos em 2013, o juvenil tricolor terá de derrotar o Furacão por dois gols de diferença no próximo sábado, às 14h (de Brasília), nas Laranjeiras. No jogo de ida, derrota por 1 a 0 em Curitiba, com direito a estádio acanhado, pressão da torcida adversária e até cuspe.

O clima de rivalidade entre os dois clubes existe mais no profissional desde 1996, quando o goleiro atleticano Ricardo Pinto, ex-Flu, foi agredido por tricolores em um jogo nas Laranjeiras. Na categoria sub-17, a disputa ficou mais acirrada neste ano. Em dois de seus cinco títulos, o Tricolor eliminou o Furacão na semifinal. Na Copa Nacional, vitória nos pênaltis após empate em 0 a 0 no tempo normal. Na Copa Rio, no entanto, goleada impiedosa por 7 a 0.

- Os caras estão mordidos. O clima no Paraná estava tenso. Torcida muito chata, cuspindo na gente. Perdemos fora de casa, mas no jogo de volta vamos sair com a vitória - frisou Gerson, que ganhou o apoio de Valadares.

- Apesar da goleada na Copa Rio, que foi um jogo atípico no qual eles tiveram uma expulsão ainda no primeiro tempo, o Atlético-PR tem um grande elenco. O clube já demonstrou isso na Copa Nacional, quando vencemos apenas nos pênaltis. É um time com jogadores de seleção, como o Mosquito, o Léo, o Nathan... O jogo da última terça-feira foi complicado. O campo irregular prejudicou muito a nossa equipe. A pressão foi grande em cima da arbitragem, mas o placar de 1 a 0 é totalmente reversível pela qualidade do nosso grupo. Jogar nas Laranjeiras vai ser uma motivação a mais para os meninos - encerrou o técnico.

marcos valadares fluminense sub-17 (Foto: Edgard Maciel de Sá)O técnico Marcos Valadares: comandante da geração mais promissora do Flu (Foto: Edgard Maciel de Sá)
 
FONTE:  GLOBOESPORTE.COM
DIVULGAÇÃO: Blog. Dudé Vieira.





 

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