Em entrevista exclusiva ao Esporte Espetacular, atacante do Fluminense relembra uso de cocaína, recuperação e nova vida depois da suspensão
A mesma facilidade que tem para fazer gol - no sábado fez mais um, o da vitória por 1 a 0 sobre o Bangu, Michael tem para falar de um problema que poderia ter dado fim à carreira de jogador de futebol: o uso de cocaína. Após ter sido flagrado em exame antidoping, o atacante do Fluminense foi condenado a 16 meses de suspensão pelo STJD. Se livrar do vício, algo comprovado por exames a cada 30 dias nos últimos oito meses, permitiu o relaxamento da pena. Ele joga, balança a rede rival e se configura na principal alternativa a Fred no grupo de Renato Gaúcho. Mas não foi fácil. Precisou da ajuda de dois anjos, como ele define os médicos que o trataram. De internação. Só assim se recuperou. Abandonou a ideia de parar de jogar. Mesmo que ainda se considere dependente, algo importante em um tratamento que parece não ter fim.
O Flu enfrentava o Resende, pelo Carioca, em 6 de abril de 2013. Michel, na melhor qualidade de um centroavante, fez gol. Vivia um mundo de sonhos: jovem, atleta de um grande clube, jogando no time titular de forma tão rápida, afinal, chegara à base do clube dois anos antes. Mas o exame acusou o uso de cocaína. Aquele mundo caiu.
- Acabei conhecendo coisas novas, que todo adolescente conhece, mas... acabei fazendo a escolha errada – reconhece o jogador.
Não tardou a ser punido. O julgamento no STJD foi pesado: 16 meses. Michael só poderia treinar. Mas o clube o abraçou. Ofereceu tratamento, ele aceitou. O técnico da época Abel Braga o definiu como filho e sempre o ajudou. Demissão por justa causa, algo possível neste caso, foi descartada pelo presidente Peter Siemsen. Pelo advogado Mário Bittencourt. Eles foram parceiros no cumprimento de outras determinações do tribunal. O clube lhe deu uma camisa, um símbolo da nova fase a ser buscada. Com a inscrição 'recomeço'.
- Ele teria que apresentar ao tribunal exames toxicológicos mensais e também fazer palestras a jovens das divisões de base do Fluminense – explica o advogado.
Lá foi Michael. Com vontade. Com dedicação. Mas a dependência não é fácil de ser superada. Ele sentiu dificuldades. E pediu a internação.
- Ele teria que apresentar ao tribunal exames toxicológicos mensais e também fazer palestras a jovens das divisões de base do Fluminense – explica o advogado.
Lá foi Michael. Com vontade. Com dedicação. Mas a dependência não é fácil de ser superada. Ele sentiu dificuldades. E pediu a internação.
Optamos pela estratégia da internação quando o próprio Michael chegou um dia falando que não estava se sentindo confortável aqui fora
Gabriel Landberg, psiquiatra de Michael
- Optamos pela estratégia da internação quando o próprio Michael chegou um dia falando que não estava se sentindo confortável aqui fora. A modalidade de tratamento mais intensiva é a internação. A partir daí, ele teve uma progressão muito satisfatória – relembra o psiquiatra Gabriel Landberg, um dos anjos referidos pelo atacante.
O outro é a psicóloga Raquel Nogueira:
- O tempo todo que ele esteve lá eu tive apoio do clube, algo fundamental porque tive autonomia para tratar o Michael não como um jogador de futebol, mas como um jovem normal. E isso foi o melhor que a gente pôde fazer por ele, tratá-lo como um sujeito... como um outro qualquer.
Michael enche os olhos de lágrimas ao lembrar. Tem carinho pela dupla. Mas sabe que o seu esforço foi fundamental. E reconhece que tem muito chão pela frente:
- Eu acho que sim, que eu tenho uma pequena dependência... tenho sim, não vou negar, fiz meu tratamento, faço meu tratamento semanal. Mas é algo difícil. Pensei em parar, como eu disse eu achei que não ia dar conta. Eu vinha treinar e fazia tudo que todo mundo fazia, mas todo mundo ia ao jogo e eu ficava aqui. Ia para minha casa, então... aquilo foi me corroendo por dentro, sabe? Eu achei que uma hora eu ia explodir.
Não explodiu.
- O tempo todo que ele esteve lá eu tive apoio do clube, algo fundamental porque tive autonomia para tratar o Michael não como um jogador de futebol, mas como um jovem normal. E isso foi o melhor que a gente pôde fazer por ele, tratá-lo como um sujeito... como um outro qualquer.
Michael enche os olhos de lágrimas ao lembrar. Tem carinho pela dupla. Mas sabe que o seu esforço foi fundamental. E reconhece que tem muito chão pela frente:
- Eu acho que sim, que eu tenho uma pequena dependência... tenho sim, não vou negar, fiz meu tratamento, faço meu tratamento semanal. Mas é algo difícil. Pensei em parar, como eu disse eu achei que não ia dar conta. Eu vinha treinar e fazia tudo que todo mundo fazia, mas todo mundo ia ao jogo e eu ficava aqui. Ia para minha casa, então... aquilo foi me corroendo por dentro, sabe? Eu achei que uma hora eu ia explodir.
Não explodiu.
- Logo no início eu fui apresentado a mais dois anjos desses, né, que eu digo que nós temos vários anjos: a doutora Raquel e o doutor Gabriel. Vou ser eternamente grato a esses dois, que que me recuperaram como homem, sabe? Eu passei um período internado na clínica. Foram quarenta e três dias, assim, de muito sofrimento... Foi um dos piores momentos da minha vida, te confesso. Porque eu nunca imaginei isso para mim. Eu saí de casa com a intenção de ter uma boa vida, de dar uma boa vida ao meu pai...
Pois o pai também não sabe explicar como o filho entrou para o mundo das drogas.
- A gente não consegue explicar, mas entrou e... eu falo para você que foi um dos momentos mais difíceis da minha vida – diz pai Anselmo Morais.
Mas pai e filho sabem explicar como ele saiu. Com esperança de algo melhor. Como a volta a jogar. Em Moça Bonita. Primeiro jogo, com gol. Foi na estreia do Flu no Carioca de 2014. Derrota para o Madureira, mas vitória de Michael. Que deu a volta por cima.
- Eu falei nas minhas palestras que a gente é o que é. E pode ser o que a gente quiser. Basta sonhar e acreditar no seu sonho. Hoje eu sou feliz. Hoje eu me sinto... um novo Michael.
Michael, realmente, conseguiu.
Pois o pai também não sabe explicar como o filho entrou para o mundo das drogas.
- A gente não consegue explicar, mas entrou e... eu falo para você que foi um dos momentos mais difíceis da minha vida – diz pai Anselmo Morais.
Mas pai e filho sabem explicar como ele saiu. Com esperança de algo melhor. Como a volta a jogar. Em Moça Bonita. Primeiro jogo, com gol. Foi na estreia do Flu no Carioca de 2014. Derrota para o Madureira, mas vitória de Michael. Que deu a volta por cima.
- Eu falei nas minhas palestras que a gente é o que é. E pode ser o que a gente quiser. Basta sonhar e acreditar no seu sonho. Hoje eu sou feliz. Hoje eu me sinto... um novo Michael.
Michael, realmente, conseguiu.
FONTE: GLOBOESPORTE.COM
DIVULGAÇÃO: Blog Dudé Vieira.
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