Tricolor tem como objetivo colocar na vitrine jogadores sem chance nos profissionais. Especialista adverte: foco deve ser exposição da marca
Em julho de 2012, o Fluminense deu o pontapé inicial de um projeto, anunciando como objetivos a internacionalização da sua marca e a abertura de mercado na Europa e nos Estados Unidos. Oito meses e algumas viagens depois, a diretoria tricolor fechou seis acordos, encaminhou pelo menos outros cinco e vê alguns de seus jovens atletas espalhados mundo afora - mas nenhum deles em um grande centro, por enquanto. As parcerias, em geral com clubes pouco conhecidos, provocam algumas dúvidas.
O que o Fluminense ganha com esses acordos? Há retorno financeiro? O foco deles está correto? É mais vantajoso emprestar jogador para um clube da Croácia ou para um de menor investimento do Brasil? Atrás dessas respostas e de outras explicações, o GLOBOESPORTE.COM conversou com dirigentes tricolores e com o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi.

O gerente de futebol Marcelo Teixeira defende as parcerias e diz que elas possibilitam que os jogadores tricolores se mantenham ativos e levem o nome do clube para outros países. Mas avisa que elas não levam lucro para as Laranjeiras, ao menos no momento em que são firmadas.
- É importante que todos os atletas tenham futuro em nosso clube ou em algum outro parceiro. Não há ganho financeiro em um primeiro momento, apenas de vitrine. Temos pelo menos outros cinco clubes perto de assinar, um até da Ásia. Esse trabalho está abrindo diversas portas para o Fluminense. Foi através dessas parcerias que surgiu a intertemporada de junho em Orlando (Estados Unidos). Teremos ainda uma grande excursão com o time sub-20 pela Europa no meio do ano. Até a recente participação dos juniores na Dallas Cup surgiu deste trabalho - argumentou o dirigente, que vem capitaneando o projeto.
O Fluminense anunciou parcerias com Vélez Sarsfield (Argentina), Hadjuk Split (Croácia), Espanyol (Espanha), Legia Varsóvia (Polônia) e Djurgardens (Suécia), além de um acordo com a Major League Soccer, que gere os 19 times da Primeira Divisão do futebol dos EUA. Dois jogadores estão atualmente na MLS: o zagueiro Léo Lelis, em período de testes no Chicago Fire, e o meia Raphael Augusto, na segunda temporada no DC United. Outros jogadores que viajaram foram o atacante Pablo Dyego, emprestado por um ano para o Djurgardens, e os meias Cássio e Lucas Patinho, no Hadjuk. Até o meio de 2013, a tendência é que entre dez e 15 atletas sejam emprestados.
A maioria das parcerias é semelhante e prevê intercâmbio de jogadores e troca de experiências. A exceção é o Vélez Sarsfield, cujo compromisso foi fechado pelo departamento de marketing e se resume a um acordo de colaboração técnica. Recentemente, o Fluminense também acertou a abertura de uma unidade da Guerreirinhos, a escolinha de futebol oficial do clube, em Córdoba, na Argentina.
Segundo os dirigentes, o foco da iniciativa está na abertura de mercado: levar o nome do Fluminense a centros menores do Velho Continente para que no futuro eles busquem jogadores em Xerém. Para isso, na análise do clube, basta que alguns atletas - que estão perto de exceder a idade dos juniores e não têm perspectiva de receber chance nas Laranjeiras - se destaquem e sejam vendidos. Em clubes como o Legia e o Hadjuk, a esperança vem ainda do fato de serem reconhecidos por suas categorias de base. No segundo, surgiram nomes como Igor Tudor (Juventus) e Darijo Srna (Shakhtar Donetsk), por exemplo.
- Visamos a abertura de mercado. Os jogadores vão para a Europa para serem vistos. Por lá, outros clubes estrangeiros podem se interessar por eles. O Pablo Dyego, por exemplo, poderia ficar no Rio disputando o Carioca de juniores, a Taça BH... Ou então ir para a Suécia jogar um campeonato profissional. Por isso optamos pelo empréstimo. Se não der certo, pelo menos ele volta com mais experiência. Quando o jogador chega ao Fluminense, sabe que pode ir para o profissional ou ter opções caso isso não aconteça. Temos uma parceria com o Joinville, com o futebol dos Estados Unidos, com mercados secundários da Europa. O atleta continua sendo do clube, mas com a chance de se destacar em outro lugar - frisou o coordenador geral das categorias de base do Fluminense, Fernando Simone.
Simone garante que os próprios jogadores preferem rumar para o exterior, pois passam a receber outro salário, e dessa vez em euros. Na opinião dele, só vale a pena emprestar para outro clube brasileiro se ele disputar no mínimo a Série B do nacional. O acompanhamento desses jogadores, segundo o clube, é feito semanalmente, por e-mail e serviços online de estatísticas.
Assim como já cedeu atletas, o Fluminense pode receber jogadores de seus parceiros - a princípio para as categorias de base. Mas não existe um prazo para isso.
Acordo com o Vélez foi fechado pelo marketing e é diferente dos outros (Foto: Bruno Haddad / FluminenseFC)
O que o Fluminense ganha com esses acordos? Há retorno financeiro? O foco deles está correto? É mais vantajoso emprestar jogador para um clube da Croácia ou para um de menor investimento do Brasil? Atrás dessas respostas e de outras explicações, o GLOBOESPORTE.COM conversou com dirigentes tricolores e com o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi.
O gerente de futebol Marcelo Teixeira defende as parcerias e diz que elas possibilitam que os jogadores tricolores se mantenham ativos e levem o nome do clube para outros países. Mas avisa que elas não levam lucro para as Laranjeiras, ao menos no momento em que são firmadas.
- É importante que todos os atletas tenham futuro em nosso clube ou em algum outro parceiro. Não há ganho financeiro em um primeiro momento, apenas de vitrine. Temos pelo menos outros cinco clubes perto de assinar, um até da Ásia. Esse trabalho está abrindo diversas portas para o Fluminense. Foi através dessas parcerias que surgiu a intertemporada de junho em Orlando (Estados Unidos). Teremos ainda uma grande excursão com o time sub-20 pela Europa no meio do ano. Até a recente participação dos juniores na Dallas Cup surgiu deste trabalho - argumentou o dirigente, que vem capitaneando o projeto.
| Lucas Patinho e Cássio na apresentação ao Hajduk Split, da Croácia (Foto: Divulgação) |
A maioria das parcerias é semelhante e prevê intercâmbio de jogadores e troca de experiências. A exceção é o Vélez Sarsfield, cujo compromisso foi fechado pelo departamento de marketing e se resume a um acordo de colaboração técnica. Recentemente, o Fluminense também acertou a abertura de uma unidade da Guerreirinhos, a escolinha de futebol oficial do clube, em Córdoba, na Argentina.
Segundo os dirigentes, o foco da iniciativa está na abertura de mercado: levar o nome do Fluminense a centros menores do Velho Continente para que no futuro eles busquem jogadores em Xerém. Para isso, na análise do clube, basta que alguns atletas - que estão perto de exceder a idade dos juniores e não têm perspectiva de receber chance nas Laranjeiras - se destaquem e sejam vendidos. Em clubes como o Legia e o Hadjuk, a esperança vem ainda do fato de serem reconhecidos por suas categorias de base. No segundo, surgiram nomes como Igor Tudor (Juventus) e Darijo Srna (Shakhtar Donetsk), por exemplo.
- Visamos a abertura de mercado. Os jogadores vão para a Europa para serem vistos. Por lá, outros clubes estrangeiros podem se interessar por eles. O Pablo Dyego, por exemplo, poderia ficar no Rio disputando o Carioca de juniores, a Taça BH... Ou então ir para a Suécia jogar um campeonato profissional. Por isso optamos pelo empréstimo. Se não der certo, pelo menos ele volta com mais experiência. Quando o jogador chega ao Fluminense, sabe que pode ir para o profissional ou ter opções caso isso não aconteça. Temos uma parceria com o Joinville, com o futebol dos Estados Unidos, com mercados secundários da Europa. O atleta continua sendo do clube, mas com a chance de se destacar em outro lugar - frisou o coordenador geral das categorias de base do Fluminense, Fernando Simone.
Simone garante que os próprios jogadores preferem rumar para o exterior, pois passam a receber outro salário, e dessa vez em euros. Na opinião dele, só vale a pena emprestar para outro clube brasileiro se ele disputar no mínimo a Série B do nacional. O acompanhamento desses jogadores, segundo o clube, é feito semanalmente, por e-mail e serviços online de estatísticas.
Assim como já cedeu atletas, o Fluminense pode receber jogadores de seus parceiros - a princípio para as categorias de base. Mas não existe um prazo para isso.
Hadjuk, Legia e Djurgarden não conquistaram resultados expressivos nos últimos anos e sequer disputaram a Liga dos Campeões nos últimos seis anos - as participações mais recentes foram de Legia e Djurgarden na edição de 2006/07. Nos torneios nacionais, a história não é muito diferente. O último título polonês do Legia foi em 2006. E Hadjuk e Djurgarden não são campeões desde 2005 na Croácia e na Suécia, respectivamente.
Mesmo com resultados ruins dos clubes, esses mercados merecem atenção pela paixão de seus torcedores pelo futebol, de acordo com o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi. Ele só avisa que o foco principal não pode ser a negociação de jogadores.
- O Flu não pode se equivocar e focar na negociação de jogadores. Esses mercados são interessantes. Não são os mais importantes, mas merecem atenção, pois são apaixonados por futebol e reconhecem o valor do Brasil. A Polônia é, aliás, um dos mercados emergentes do marketing mais importantes. Mas o foco deve ser mais na exposição da marca do clube para aumentar a base de torcedores. É a tese que eu defendo. Clubes de torcida menor, como Fluminense, Botafogo, Grêmio, Santos e Internacional, que estão longe de Flamengo e Corinthians, deveriam utilizar mais essa abertura de mercado no exterior.
O contrato com o Legia, que também é tricolor e tem a Adidas como fornecedor de material, prevê a possibilidade de venda de camisas do Fluminense na Polônia. Nada, no entanto, que anime Amir. Segundo ele, o ideal é explorar a imagem de seus craques em campanhas de marketing e até investir em amistosos na Europa, expandindo a iniciativa feita nos Estados Unidos. A parceria com a MLS permitiu que fossem marcadas uma intertemporada do elenco profissional em Orlando, em julho, e uma partida amistosa contra o Orlando City.
- O projeto do Fluminense nos Estados Unidos me parece mais bem feito. Mas é preciso saber se os americanos vão conhecer o clube. O que o Fluminense está fazendo hoje para preparar o terreno quando desembarcar lá? É preciso se fazer conhecido antes. E falo isso para qualquer clube. A marca precisa ser fortalecida. O Fluminense tem o diferencial de possuir grandes jogadores, como Deco e Fred, e deveria trabalhar a imagem deles - disse.
FONTE: GLOBOESPORTE.COM
DIVULGAÇÃO: Blog. Dudé Vieira.
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